Três clubes nordestinos se despediram da elite do futebol nacional. Ceará, Fortaleza e Sport foram rebaixados justamente na edição do Brasileiro que teve recorde de participação de representantes da região. O número doloroso poderia ter sido ainda maior: por pouco, o Vitória não se juntou ao trio. O Bahia foi o único a escapar de qualquer risco. Em uma competição que exige regularidade, os times pecaram no planejamento e terão pela frente árdua missão para firmar protagonismo em 2026.
Desde 2003, início dos pontos corridos, todas as edições da Série A tiveram ao menos um clube do Nordeste. Em 2025, a maioria deles deixou a elite. Para os cearenses, 2026 será o primeiro ano desde 2017 sem um representante do estado na primeira divisão.
É natural que o torcedor busque culpados, mas os fatores foram muitos: má gestão de recursos, contratações que não renderam e questões anímicas compuseram um cenário que talvez explique a eletrizante e castigante última rodada da competição.

CEARÁ – Da estabilidade ao colapso na reta final
O Ceará iniciou a disputa focado na permanência, recém-promovido à primeira divisão. Com discurso pé no chão e sem exageros financeiros, manteve o técnico Léo Condé e fez uma campanha regular. Foram 17 rodadas no G10, mas o time caiu de rendimento no segundo turno. Os tropeços custaram caro na rodada final do campeonato mais decisivo dos últimos anos.
A defesa se manteve sólida, mas o ataque falhou. Faltou capricho, técnica e sorte: apenas 34 gols marcados, o segundo pior desempenho ofensivo, atrás apenas do Sport (28). O time também não se firmou fora de casa, somando apenas 17 pontos de 57 disputados.
Mesmo longe da zona de perigo durante a maior parte da competição, o Alvinegro vacilou contra adversários diretos como Sport, Fortaleza, Internacional e Vitória. Na última rodada, abriu o placar contra o Palmeiras, levou a virada e não reagiu.
O clube passou 30 minutos na zona de rebaixamento — tempo suficiente para não sair mais de lá. No dia de maior público do Castelão na temporada, que deveria ser de festa com mais de 58 mil torcedores, a vantagem matemática evaporou. Se tivesse somado um ponto a mais nos últimos cinco jogos, teria escapado. Uma gangorra cruel derrubou o Ceará na reta final da disputa.

FORTALEZA – Do topo ao sufoco em anos de extremos
Depois de um 2024 eletrizante, com a melhor campanha da história do time no Brasileiro e vaga direta na Libertadores, o Fortaleza despencou em 2025. Sob comando de Vojvoda, a equipe começou mal o ano; com Renato Paiva, a situação piorou, somando apenas uma vitória em dez jogos. O grupo permaneceu apático até a chegada de Martín Palermo.
Alguns reforços não corresponderam: David Luiz, Pol Fernández e Diogo Barbosa decepcionaram. Adam Bareiro e Herrera, contratados no meio da temporada, ganharam mais minutos sob Palermo e evoluíram para ajudar a equipe. O camisa 27 disputou 21 jogos pela Série A e marcou sete gols, todos sob o comando do treinador ex-Boca Juniors.
O Tricolor teve a quarta pior campanha como mandante. Ano passado, a Arena Castelão era trunfo, com 19 partidas invictas em casa; nesta temporada, foram apenas oito vitórias. Conseguiu uma sequência de nove jogos sem derrotas na reta final, mas não foi o suficiente para salvar o Tricolor.
De um ano para outro, o Fortaleza viveu extremos: despencou na tabela e passou praticamente toda a competição na zona de rebaixamento, mesmo com orçamento recorde de R$ 387 milhões. A queda encerrou um ciclo de sete anos seguidos na competição de maneira melancólica. O consolo talvez esteja no legado da estrutura e dos processos administrativos, que podem ajudar no retorno à elite.

SPORT – Campanha desastrosa
O Sport foi o primeiro rebaixado para a Série B, definido na 33ª rodada. A equipe pernambucana sofreu o descenso cinco vezes na era dos pontos corridos. O Leão da Ilha registrou a segunda pior campanha do modelo, atrás apenas da Chapecoense de 2021, que somou 15 pontos.
O time passou por três técnicos: Pepa, Antônio Oliveira e Daniel Paulista, e na reta final, o interino César Lucena assumiu. O clube investiu mais de R$ 60 milhões em contratações, sem que elas compensassem em campo. Fora das quatro linhas, também enfrentou atrasos salariais e instabilidade.
Com apenas duas vitórias e 17 pontos, o Sport retornou à Série B, acumulando cinco rebaixamentos na era dos pontos corridos: 2009, 2012, 2018, 2021 e 2025, sendo esta última a pior campanha da história do clube.

SÉRIE B 2026 – Em busca do protagonismo
Na segunda divisão, Ceará, Fortaleza e Sport — com mais estrutura, experiência e rodagem na elite — estarão entre os favoritos na briga pelo acesso e pelo título. A rivalidade regional terá peso, com outros dois nordestinos na competição: CRB, que permaneceu na Série B, e Náutico, promovido da Série C.
Para retomar protagonismo, os clubes precisarão reorganizar finanças e planejar cuidadosamente contratações e estratégias da comissão técnica. Os adversários incluem Goiás, Atlético-GO e Criciúma, equipes estruturadas e experientes na disputa.
Os times nordestinos seguem entre os que têm as melhores médias de público do país. Festa, mosaicos e música traduzem a paixão do torcedor. O triplo rebaixamento foi um baque para a representatividade construída ao longo de anos na elite, mas ela permanece viva nas histórias que ainda serão contadas.
Viu situação que pode virar notícia? Ou tem alguma sugestão de pauta?Fale com a gente pelo WhatsApp do Central Quixadá.
Nenhum comentário:
Postar um comentário